CAPITAL DO SERTÃO

Este é o Blog Oficial de Nossa Senhora da Glória - SE, a Capital do Sertão sergipano.

7.5.09

O inesquecível Patativa do Assaré

Sua poesia permanece sempre atual

Filho do agricultor Pedro Gonçalves da Silva e de Maria Pereira  da Silva,  Patativa do Assaré veio ao mundo no  dia 9 de março  de 1909. Criado  num  ambiente de roça, na Serra de Santana, próximo a Assaré , seu  pai  morrera  quando tinha apenas oito anos legando aos seus   filhos  Antônio, José,  Pedro, Joaquim, e Maria  o ofício da enxada,  "arrastar  cobra  pros pés" ,  como se diz  no sertão.

A sua vocação de poeta,  cantador  da existência e cronista das mazelas do  mundo despertou cedo, aos cinco  anos já exercitava seu versejar. A mesma infância que lhe testemunhou os primeiros versos presenciaria a perda da visão  direita,  em  decorrência  de uma doença, segundo ele,  chamada "mal  d’olhos".

Sua verve poética serviu  a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do  povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir ao  condições climáticas e políticas desfavoráveis.

(Fonte: http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/patati.htm)

Eis um exemplo de seu talento e genialidade:

 

Prefeitura sem prefeito

Nessa vida atroz e dura
Tudo pode acontecer
Muito breve há de se ver
Prefeito sem prefeitura;
Vejo que alguém me censura
E não fica satisfeito
Porém, eu ando sem jeito,
Sem esperança e sem fé,
Por ver no meu Assaré
Prefeitura sem prefeito.

Por não ter literatura,
Nunca pude discernir
Se poderá existir
Prefeito sem prefeitura.
Porém, mesmo sem leitura,
Sem nenhum curso ter feito,
Eu conheço do direito
E sem lição de ninguém
Descobri onde é que tem
Prefeitura sem prefeito.

Ainda que alguém me diga
Que viu um mudo falando
Um elefante dançando
No lombo de uma formiga,
Não me causará intriga,
Escutarei com respeito,
Não mentiu este sujeito.
Muito mais barbaridade
É haver numa cidade
Prefeitura sem prefeito.

Não vou teimar com quem diz
Que viu ferro dar azeite,
Um avestruz dando leite
E pedra criar raiz,
Ema apanhar de perdiz
Um rio fora do leito,
Um aleijão sem defeito
E um morto declarar guerra,
Porque vejo em minha terra
Prefeitura sem prefeito.

Patativa do Assaré

criado por poetajorge    11:15 — Arquivado em: CULTURA — Tags:, , ,

1.5.09

XVI Concurso de Poesia Falada da cidade de Lagarto-SE

 

Lagarto-SEEstão abertas as inscrições para o XVI Concurso de Poesia Falada da cidade de Lagarto-SE. O período de inscrição é de 22 deabril a 22 de maio de 2009. Os interessados devem dirigir-se ao Centro Cultural Adalberto Fonseca, na Praça da Piedade, nº 93, centro, CEP 49400-000, em Lagagarto-SE. Para as inscrições realizadas pelos correios, será considerada a data da postagem.

Poderão se inscrever poetas nascidos ou residentes no Estado de Sergipe. Cada poeta poderá inscrever até dois poemas inéditos. Estes deverão ser digitados, identificados mediante pseudônimo do autor e encaminhados em três cópias dentro de um envelope grande. Ainda dentro do envelope, deverá conter um envelope menor, lacrado, no qual constem as seguintes informações: nome completo, endereço, telefone para contato, e-mail, título dos poemas e pseudônimo.

Os dez poemas selecionados pela Comissão Julgadora deverão ser apresentados ao público em espetáculo aberto, no dia 12 de junho, às 20h, no Auditório da Secretaria Municipal de Educação e Cultura da cidade de Lagarto-SE.

Cada poeta poderá defender suas produções ou indicar outro intérprete. Os dez poetas selecionados receberão certificados pela participação no concurso e os três primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro:

1º lugar - R$ 400,00

2º lugar - R$ 300,00

3º lugar - R$ 150,00

Melhor intérprete - R$ 150,00

criado por poetajorge    11:35 — Arquivado em: CULTURA, EVENTOS — Tags:, , , , ,

24.4.09

Apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos

A Orquestra Filarmónica das Beiras em plena actuação nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, a anteceder a sessão de apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos

Já no Auditório do Mosteiro da Batalha.
A Mesa que presidiu à sessão, podendo destacar-se o Director Editorial e autor do Preâmbulo, Adélio Amaro (2º da esquerda para a direita), o Engº Carlos Henriques, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Batalha, o Director do Mosteiro, Dr. Júlio Órfão e o Dr. Arménio de Vasconcelos, autor do Proémio e que dissertou sobre a História da Poesia e a sua influência na Cultura dos Povos em geral e da Lusofonia em paticular. O último da direita é Nuno Brito, Açoreano de S. Miguel, que participou na sessão cantando e tocando à viola várias canções conhecidas, nomeadamente “Amar-te perdidamente” duma telenovela recente da TVI.

Graça Magalhães, natural de Moçambique, residente actualmente em Viseu. A declamar o poema “Mãe“.

Carmindo Carvalho de Moimenta da Beira dizendo “Sorriso sarcástico“.

Fonte: http://dispersamente.blogspot.com/2009/04/mosteiro-da-batalha-apresentacao-da-ii.html

criado por poetajorge    14:18 — Arquivado em: CULTURA, EVENTOS — Tags:, , ,

22.8.08

A Glória do Poeta da Boca da Mata


Antônio Cruz

“Para a seara de versos
Do trovador popular
De minha terra a história
Pretendo agora cantar,
Pois é seu aniversário
E é justo e necessário
Suas glórias relembrar.”

O Município de Nossa Senhora da Glória tem artistas e poetas. Tanta gente boa que a cidade merece um texto-hino, ou melhor, um livro-poema para comemorar os seus 80 anos. E estando localizada no sertão, nada melhor do que um típico Folheto, como é conhecido o livro com a autêntica “literatura de cordel”, feito por um filho de Glória, cidade que cresce como pé de mandacaru verdejante: bifurcando-se para cima, resistente ao sol escaldante do dia e à friagem da noite.

O herói dessa façanha chama-se Jorge Henrique. Um poeta de versos livres que envereda assim pelo rigor da métrica. As estrofes aqui reproduzidas são do Folheto “Glória” cantada em versos, oitenta anos de emancipação. Autor também da obra “Mutante in Sanidade”, poesia, Jorge Henrique, poeta premiado, http://poetajorge.blogspot.com/, é professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na rede pública de ensino.

Herói sim, pois Jorge Henrique é um intelectual ativista incansável, ante as tantas dificuldades conhecidas, num país em que cada cidadão tem de criar as próprias oportunidades uma vez que elas não surgem, e as muitas instituições, raras exceções, que deveriam criá-las mais servem aos seus titulares do que ao povo. Para a “felicidade geral da nação” as exceções estão se tornado regra e as instituições federais vêm patrocinando as iniciativas brilhantes.

O lançamento do cordel “Glória” Cantada em Versos, aconteceu no dia primeiro de agosto, no Espaço Barbosa Eventos, em Glória, como um fato cultural bem produzido, tamanha a combinação entre elementos apropriados da ambientação singela, mas criativa. Os repentistas convidados: Vem-Vem do Nordeste e Gilberto Alves, que proporcionaram um belo espetáculo de cultura popular, e as pessoas atenciosas, interessadas e entusiasmadas que compareceram em grande número. O poeta era só satisfação. O desdobramento deste acontecimento está se dando entre os alunos das escolas públicas e a população, por estarem lendo e comentando o conteúdo do cordel por toda a cidade. O fato resultou para todos em grande contentamento ao reconhecerem na história do Município um motivo para a valorização da própria identidade.

“Os tropeiros, no entanto,
Temiam seguir viagem
Durante a noite, com medo
De topar com uma visagem,
E ali faziam pousada,
Na boca da mata armada,
Assombrados com a paisagem”

Em tempos idos, antes de 1922, a cidade de Nossa Senhora da Glória era chamada de “Boca da Mata”. Há uma explicação plausível: o agreste que é a região situada entre o sertão e a zona da mata também tem floresta tropical. A interface entre a caatinga e essa floresta, no agreste, é naturalmente irregular, sendo possível que por ali, onde hoje é Glória, existisse frondosa mata de acesso difícil e perigoso. Na colonização a penetração no interior foi feita se utilizando os rios, porém, foram abertos caminhos para a expansão do território e que eram percorridos pelos tropeiros. Muitos se deslocavam do alto sertão para a zona da mata e litoral. Eles vinham, possivelmente, comprar tecidos, açúcar e outras mercadorias, tanto em Laranjeiras quanto em Maruim, cidades então com trapiches para aportarem diversas embarcações e de grande movimento comercial.

“Boca da Mata era ainda
O nome do povoado,
Só mudou em vinte e dois
Pois passou a ser chamado
Nossa Senhora da Glória.
Foi a linha divisória
Do presente com o passado”

O povoado Boca da Mata, antes pequenino, se emancipou definitivamente do Município de Gararu em 1928, quando foi elevado à categoria de vila. Depois cresceu tanto a ponto de ser chamada de “A Capital do Sertão”. Hoje, a cidade de Glória tem também Jorge Henrique para cantá-la, seja com versos livres ou contabilizando sílabas poéticas no ritmo da métrica, com suas parcelas, sextilhas, setilhas e outras estrofes; poeta afinado com seu tempo e sua gente; homem dotado de alma gigante.

Fonte: http://www.cinform.com.br/colunistas/?colunista=6&codigo=208200813592766508

criado por poetajorge    12:07 — Arquivado em: CULTURA, EVENTOS — Tags:, ,

15.8.08

UM BANHO DE CULTURA POPULAR

O lançamento do cordel “Glória” Cantada em Versos, no dia 1º de agosto de 2008, no Espaço Barbosa Eventos, em Nossa Senhora da Glória-SE, foi um espetáculo de cultura popular para o público presente.

O repentistas Vem Vem do Nordeste e Gilberto Alves abriram a noite com uma apresentação antológica. Versificaram sobre o evento, o autor, os convidados, cultura, esporte, Literatura, contaram causos e declamaram amostras das mais explêndidas poesias matutas.

A noite estava apenas começando.

Em seguida, o grande cordelista gloriense, Gauchinho (Luís Alves da Silva) declamou o Cordel “Glória” Cantada em Versos, pelo que foi bastante aplaudido. Emocionou a todos ao falar um pouco de sua trajetória de vida e de seu envolvimento com a leitura e com a produção poética.

Ainda para tornar a noite mais radiante, nosso poeta popular, Zé Pereira, também declamou versos seus em homenagem ao inesquecível Luís Gonzaga.

O poeta Jorge Henrique explicou para os convidados seu projeto, que naquele momento já apresentava alguns de seus frutos, agradeceu a todos e, em seguida, enquanto distribuía os livretos para seus convidados, deixou que noite seguisse embebida da mais fina poesia popular, cantada pelos repentistas.

Estavam presentes ao evento artistas sergipanos de renome (Antônio Cruz), professores da Univeridade Federal de Sergipe (João Costa, Telma Alves Oliveira), autoridades locais (o Secretário de Educação e Cultura, Sr. Abraão Lincoln), além de diretores de escolas, professores, alunos e diversos artistas locais (Maria Aparecida, Iolanda, Júnior Leônio, Maria Barreto).

criado por poetajorge    14:17 — Arquivado em: CULTURA, EVENTOS — Tags:, , , ,

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