CAPITAL DO SERTÃO

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20.10.08

Verdades além da manchete

(”Hospitais agonizam na UTI”)

José Adeilson dos Santos*

Indiscutivelmente chamou atenção a matéria de capa da edição nº 1.326 do Jornal Cinform (08 a 14 de Setembro de 2008) sob o título “Hospitais agonizam na UTI”. E mais ainda, a hipótese de “descaso” e da falta de compromisso por parte do Estado, de gestores e de funcionários públicos do setor da saúde, no mínimo criou curiosidades para a leitura!

Procede-se desta forma por que é mais fácil generalizar? Imaginar e pintar o caos é mais prático do que revelar o propósito de uma missão? Ou sempre haverá desculpas pela opinião mal-feita, quando formulada sobre o desconhecido?

Admitindo a regra de que primeiro se deve conhecer para depois comentar, é bem provável que falta(ra)m elementos e dados para subsidiar a responsável pela matéria, haja vista o descuido que teve para não destacar os desempenhos positivos dos hospitais regionais.

Como bem salientou o Dr. Josias Passos, Coordenador da Rede Hospitalar de Sergipe, “os hospitais regionais hoje duplicaram seus serviços”. As unidades de Itabaiana e de Nossa Senhora da Glória oferecem as seguintes especialidades na urgência e emergência (24 horas): anestesia, clínica médica, pediatria e ortopedia. Em Glória, ainda acrescenta-se o atendimento 24 horas em obstetrícia. Estes serviços, acessíveis à população e disponíveis de acordo com os princípios da universalidade e da integralidade que emanam do Sistema Único de Saúde, já desconfirmam a pregação do descaso que a matéria do jornal (des)informa.

Pelos atendimentos prestados, no nível de complexidade compatível com a sua estrutura tecnológica e de pessoal, tem se alcançando resolutividade desejada, permitindo então contestar que a rede hospitalar “agoniza na UTI”. Também a matéria não teceu comentários sobre o processo de Reforma Sanitária e Gerencial do SUS em Sergipe que “visa à ampliação e adequação da oferta de novos serviços de acompanhamento especializado, o investimento em novas tecnologias de informação, equipamentos e qualificação de pessoal e a mudança na lógica de acesso e distribuição dos procedimentos”. Sendo esta informação apresentada pelo Dr. Josias Passos, assim como as demais opiniões dos diretores hospitalares (Itabaiana e Glória) sobre o desempenho das unidades, é perceptível que as mesmas não foram devidamente aproveitadas.

Cabe-me ressaltar: O Hospital Regional de Glória é uma unidade que se apresenta como “porta aberta” atendendo diretamente a uma região (sertão sergipano) com população de mais de 150.000 habitantes. Mensalmente atende a uma média de 4.000 pessoas no serviço de urgência / emergência (gerando em torno de 8.000 procedimentos neste serviço). Também consta a realização de cerca de 160 partos (73% normais); 150 cirurgias; 350 internamentos; 740 raio-X; 100 exames de eletrocardiograma; 160 exames de ultrassonografia além de atendimentos ambulatoriais (consultas agendadas) para as especialidades de ortopedia e para cirurgias eletivas de hérnia, laqueadura, histerectomia, perineoplastia.

Ainda se destacam as medidas administrativas que contrataram serviços de manutenção da central de gases, dedetização do hospital, limpeza das caixas d’água, gerenciamento do lixo hospitalar, revisões preventivas de equipamentos médico-hospitalares e das instalações prediais.

Além dos resultados alcançados, todas as ações que compreendem a rotina de trabalho do Hospital Regional de Glória, tem o sentido de privilegiar um atendimento humanizado à população. Portanto, não nos sentimos vitimados pelo descaso às pessoas. Não prestar acolhimento devido aos usuários dos nossos serviços, se entende como falta grave!

E não queremos omitir dificuldades e eventuais deficiências! Existem! Como já salientava na matéria deste jornal (edição nº 1.326), são muitas as pessoas que recorrem aos serviços médicos do hospital (nem sempre para atendimentos de urgência) que até poderiam ser prestados pelas municipalidades da região. Mas não levamos isto em conta. Cumprimos as orientações da Secretaria de Estado de Saúde e do Governo do Estado cuja pauta de política de saúde prioriza as pessoas reconhecendo a dignidade, que além dos “remédios” necessitam de conforto e de carinho. É assim que procuramos prestar atendimento.

Talvez se a responsável pelo texto jornalístico tivesse o tempo necessário para ouvir mais pessoas, atendidas pelos diversos serviços da rede hospitalar do Estado, com certeza encontraria muitos usuários satisfeitos com o atendimento recebido. Entendemos que a amostragem que obteve para fundamentar o seu trabalho (ressaltando que acolhemos e respeitamos os depoimentos das pessoas ouvidas, servindo-nos para corrigir ações) não é suficiente para determinar que os hospitais regionais do Estado de Sergipe se situam na condição do descaso.

*José Adeilson dos Santos
Bacharel em Administração de Empresas e
Diretor Administrativo do Hospital Regional de N. S. da Glória.
criado por poetajorge    12:58 — Arquivado em: OPINIÃO — Tags:, ,

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