Sobre homens e pedras

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA | Postado dia 02-01-2012

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Ele não nasceu um fecundo missionário da Boa Nova, nem um grande exemplo de homem, muito menos um símbolo de amor ao próximo, de fraternidade e de humildade. Nasceu, como qualquer criança, apenas uma pequena e frágil promessa, uma imprevisível e ilimitada possibilidade de vida, de ação, de novidade e de transformação.

Cada nascimento traz consigo uma renovação da vida e uma transformação do mundo. Da mesma forma, quando atiramos uma pedrinha no imenso mar, este se torna um mar diferente, novo. Embora vejamos as mesmas águas, elas agora guardam um segredo recôndito em suas profundezas. A novidade do mar é conter uma pedrinha a mais: a nossa pedrinha. Cada ser humano, pelo simples fato de seu nascimento, revigora o mundo como uma pedrinha depositada nas profundezas da vida. 

No entanto, algumas pedrinhas permanecem imóveis no fundo do oceano, fixas e acomodadas num único lugar. Embora elas sejam a essência da novidade, não produzem mudanças de grande alcance. Outras entendem a linguagem das águas e não se imobilizam, mas rolam. Seu movimento interfere no próprio movimento das águas que as envolvem, modificando as marés futuras. As pedras que se movimentam, às vezes, agrupam-se em volumes enormes e, unidas, edificam barreiras no fundo do mar. Barreiras assim são capazes de mudar definitivamente o curso das águas.

Um verdadeiro homem se constrói por seus atos e suas palavras. Sua ação e seu discurso põem em movimento sua vida. É o que diz e o que faz em sua jornada que determinam o alcance da renovação do mundo que sua vida tem o poder de produzir. Quando age e diz, este homem se singulariza e se torna único.

Como as pedras são arremessadas ao mar, os homens são lançados à vida pelo Criador. Cabe a cada um permanecer imóvel ou se pôr em movimento. Cabe a cada um fazer-se pequena novidade no curso da vida ou modificar as águas da história. Cabe a cada um tornar-se único. Tornar-se singular é uma tarefa que só é possível pela ação e pelo discurso. Agindo e falando um homem transforma sua vida e a vida de muitos outros homens. Assim constrói a história.

Assim ele fez. E ao fazer-se único, doou-se por inteiro ao próximo. Doando-se, fez-se grande. Grande, fez-se amado. Amado, tornou-se inesquecível.

O Padre Léon Grégoire não ficou imóvel, não se permitiu ser apenas uma pedrinha no oceano, mas moveu as águas, construiu para si o caminho do fecundo missionário, direcionou a trajetória de sua vida para o acolhimento de uma nova pátria e tomou como meta a efetivação das palavras do Cristo: “Amai-vos uns aos outros como vos amei”.

Sua voz levou, por mais de meio século, as palavras do Cristo a inúmeros corações aflitos. Suas palavras traziam a Boa Nova, davam conforto a muitas almas e semeavam seu amor. Desse amor despretensioso e puro brotaram todas as suas obras. Sua mão, sempre estendida, doava de bom grado tudo o que tinha e nada esperava em troca. De suas mãos, muitas bocas se alimentaram. Suas mãos enxugaram muitas lágrimas, modificaram o curso de muitas vidas, abrigaram famílias e mais famílias, e apontaram o caminho para inúmeras pessoas que não tinham direção. Suas obras semearam por onde passou um amor sincero e uma fraternidade inabalável, retirados de sua própria vida.

Assim, o Padre Gregório, por seus atos e palavras, mudou o curso da história de Nossa Senhora da Glória, cidade que adotou carinhosamente como lar, e tornou-se um símbolo de amor ao próximo, de fraternidade e de humildade para todos os que o conheceram. Um símbolo não morre. Um símbolo ganha novos sentidos, transforma-se, rompe os limites do tempo e da vida individual para se perpetuar no imaginário das pessoas. Enquanto símbolo, o homem alcança uma espécie de imortalidade, pois sua grandeza reside em sua capacidade de realizar feitos que possam pertencer à eternidade, sendo lembrados indefinidamente. Por isso Padre Gregório é inesquecível.

Jorge Henrique, 03 de janeiro de 2011.

Lei Municipal de Incentivo à Cultura

Postado por poetajorge | Postado em Sem categoria | Postado dia 12-12-2011

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A Lei Municipal Nº 714/06 dispõe sobre o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC), o incentivo fiscal para a realização de projetos culturais e o Conselho Municipal de Cultura no âmbito do Município de Nossa Senhora da Glória.

Embora esteja em vigor desde 2006, essa Lei ainda não vem sendo cumprida pela municipalidade. É importante que as pessoas envolvidas com as manifestações culturais de Nossa Senhora da Glória conheçam seu teor e possam criar espaços de discussão e reivindicação para que esta Lei possa ser efetivamente aplicada.

Esta Lei pode ser acessada neste link: http://dl.dropbox.com/u/46254372/Lei%20714-06.pdf.

Algumas palavras sobre “Retalhos”

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA, EVENTOS, Notícias | Postado dia 27-09-2011

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Ontem, 26 de setembro, data em que se comemora a emancipação política do município de Nossa Senhora da Glória - SE, aconteceu o encerramento da 1ª Exposição "Artes para Glória", que integrou as comemorações do 83º aniversário da cidade. A Praça Filemon Bezerra Lemos tornou-se palco de várias expressões artísticas e culturais locais. Houve dança, música, capoeira, artes visuais e, para fechar com chave de ouro o dia festivo, houve o lançamento da antologia poética "Retalhos", dos poetas Ancelmo Aragão, Bárbara Juca, Euvaldo Lima, Geovania Manos, Israel Bispo e Ramon Diego
 
Tive o prazer de fazer a apresentação da obra ao público gloriense e de proferir algumas palavras na Câmara de Vereadores, onde se deu a solenidade de entrega dos prêmios da 1ª Exposição "Artes para Glória" e o lançamento oficial da referida antologia poética.Transcrevo abaixo as palavras que ali proferi.
 
Algumas palavras sobre esses Retalhos 
É com satisfação que volto a esta casa para, pela segunda vez, celebrar a publicação de mais uma obra em versos, nascida da pena e do talento do artista gloriense. Hoje, para minha alegria, são seis os artistas que se apresentam a público e trazem nas mãos suas almas sob a forma de poemas. Exatamente no dia 26 de setembro de 2010, proferi aqui algumas palavras em homenagem ao amigo Euvaldo, por ocasião do lançamento de seu livro “Um Sopro de Versos”. Naquela ocasião, iniciei minha fala tomando de empréstimo as palavras do grande poeta português Fernando Pessoa, que, em um de seus poemas, assinado por seu heterônimo Ricardo Reis, do alto de uma profunda sabedoria, dizia: “Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes”.
É interessante observar como essas palavras significam neste momento, pela segunda vez. Não há palavras mais propícias para descreverem a postura desses novos poetas glorienses diante de suas vidas e de sua obra. É com muita felicidade que me ponho a falar aqui mais uma vez sobre a realização desses idealistas que, exatamente no aniversário da cidade, oferecem tamanho presente à sociedade gloriense: sua poesia! E que presente é esse? 
Escrever poemas é uma arte criteriosa e laboriosa que, embora para alguns pareça obsoleta e de pouco valor, representa um esforço pela humanização de nossa espécie. Não basta nascer homem ou mulher para ser humano, é preciso humanizar-se. E humanizar-se não é algo que se aprenda no comércio, na política, no exercício do poder ou na vida cotidiana, isolado em afazeres, mas algo que só se alcança quando nos dirigimos ao outro, quando nos aproximamos do outro, quando buscamos compreendê-lo. A natureza humana é um enigma que só se revela a quem a busca no mais íntimo do ser. Eis o valor do presente que é oferecido neste momento à nossa sociedade. O mais íntimo do ser humano, aquilo capaz de humaniza-lo, revela-se na poesia. E é isso que vemos em Ancelmo, Bárbara, Euvaldo, Geovania, Israel e Ramon
Eles vão buscar sua poesia no âmago de suas existências, nos íntimo de seus anseios mais profundos, que traduzem sua necessidade premente de verbalizar, de tomar a forma da linguagem. Nesses Retalhos que lançam à publicação, esses autores, como diz Pessoa, são plenos, estão por inteiro, sem nada de si exagerar ou excluir. Estão inteiramente em cada poema e assim se oferecem ao público, dando-lhe a possibilidade de humanizar-se, de encontrar o humano que há no outro. Esse público, quando ler tais poemas, poderá encontrar neles seu próprio sorriso, sua própria aflição, seu próprio protesto, sua própria crítica, seu próprio humor, sua própria dor, sua própria fé. Ao se encontrar nas palavras do outro, esse público pode humanizar-se, e que magnífico presente é esse! 
A poesia nos dá a oportunidade de nos conhecer melhor pela experiência do outro. Ela nos permite viver experiências que ainda não vivemos, ou mesmo reencontrar aquilo que estava apagado em nossa lembrança de vida. E é isso o que está nesses Retalhos
Na apresentação que faço do livro, afirmo que Retalhos, em princípio, são partes, pedaços, fragmentos que se retiram ou se recortam de algo, sobretudo de tecidos. E tecido remete a textos, que remete a poemas. São esses os Retalhos de cada um desses poetas, costurados aos demais, formando uma colcha de poemas que mescla seus estilos e seus temas de cores variadas. No entanto nesta obra, nada se retira, pelo contrário, somam-se partes, juntam-se fragmentos para formarem um todo maior que os egos individuais. 
Eis o significativo presente que lhes é ofertado. Que seja essa obra recebida com festa e júbilo pelos glorienses e que possa representar mais um símbolo de que a grande riqueza de nosso povo é sua cultura.
 
Jorge Henrique Vieira Santos,
26 de setembro de 2011.

A 1ª Exposição “Artes para Glória” foi um sucesso

Postado por poetajorge | Postado em Sem categoria | Postado dia 26-09-2011

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A 1ª Exposição "Artes para Glória", que aconteceu de 21 a 26 de setembro no espaço ACEG, e que objetivava dar visibilidade aos novos talentos das artes visuais de Nossa Senhora da Glória, alcançou seu propósito. O evento, que foi organizado pelo artista plástico Wellington Santos, contabilizou mais de quinhentos visitantes durante os cinco primeiros dias. No dia 26, data em que se comemora a emancipação política do município, as peças foram transferidas para a Praça Filemon Bezerra Lemos, onde integrou as comemorações do aniversário da cidade que culminaram com o lançamento da antologia poética "Retalhos", dos poetas Ancelmo Aragão, Bárbara Juca, Euvaldo Lima, Geovania Manos, Israel Bispo e Ramon Diego.

Cada artista pode concorrer com até 5 (cinco) obras e em até 2 (duas) categorias (desenho, pintura, gravura, escultura, instalação, tapeçaria, fotografia e artresanato).

A comissão de curadoria da exposição selecionou seis as obras que foram expostas e a comissão julgadora realizou sua avaliação segundo critérios de criatividade, composição e técnica aplicada. O grande premiado dessa edição foi o artista Luís com uma escultura de metal.

Os artistas que participaram da exposição receberam certificados emitidos pelo Portal “Soudegloria” e entregues na solenidade realizada na câmara de vereadores, hoje, 26, e os três primeiros colocados foram premiados, respectivamente, com R$ 400,00, R$ 300,00 e R$ 200,00.

As obras selecionadas participarão de uma  exposição coletiva na Galeria de Artes Álvaro Santos, em Aracaju.

O sucesso desse evento é mais uma prova de que a maior riqueza de Nossa Senhora da Glória é sua cultura.

Ilustre gloriense declama cordel em Brogodó

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA, Notícias | Postado dia 23-09-2011

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Sergival é o terceiro, da esquerda para a direita.

Há poucas horas, eu estava em casa trabalhando em meu netbook, quando ouvi a voz do poeta Gonçalo Ferreira, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a declamar uns versos no último capítulo da novela Cordel Encantado. Virei-me, contente, para apreciar o fato e qual foi minha surpresa quando vi meu conterrâneo Sergival a soltar sua voz possante e carregada de seu sotaque característico. Que felicidade ver um ilustre gloriense na telinha da Globo. Transcrevo abaixo a entrevista que ele concedeu ao site ensergipe.com, eufórico com sua belíssima participação na novela.

 

"Ainda estou aqui eufórico com o resultado de minha participação neste último capítulo da novela Cordel Encantado. 

Foi tudo muito especial. Não é por menos que esta novela tem recebido elevados índices de audiência e de aprovação junto a crítica, superando todas as expectativas.

Acompanhei de perto o competente trabalho da diretora Amora Mautner, bem como pude conversar bastante com as escritoras Duca Rachid e Thelma Guedes, esta última filha de pernambucano, que através da trama se utilizaram de vários elementos do cordel como o universo dos castelos com reis, rainhas, princesas e príncipes, tudo isso ficcionado neste ambiente sertanejo com seus cangaceiros, coronéis e beatos.

A cidade cenográfica é espetacular, e claro, não poderia deixar de falar dos figurinos de época e nordestinos. Claro que disso tudo, o que mais fica evidente na telinha é a atuação de grandes veteranos como Berta Loran e Osmar Prado por exemplo, que foram muito gentis e me receberam com muito carinho no Estúdio B do Projac, onde conversamos demoradamente sobre este universo nordestino, antes de se iniciarem as gravações que varam a madrugada.

Aliás, seja de tarde ou noite, essa tecnologia de captação de imagem no formato cinema é fabulosa, o que tem dado um destaque a mais para o reconhecimento deste trabalho.Estar ali naquele universo nordestino me fez sentir-se em casa. Meu sotaque, meu figurino e minhas palavras, soaram com a autenticidade de todos esses anos dedicados à cultura nordestina, especialmente a cultura sergipana que me forneceu todos os elementos artísticos do que sou hoje.

Faz três anos que faço parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, que fica aqui no Rio de Janeiro no bairro de Santa Tereza, onde ocupo a cadeira 23 que tem como patrono o Capistrano de Abreu, e desde que a novela foi ao ar que temos realizado trabalhos temáticos para eles, o que culminou com essa participação.O final reservado aos personagens está muito emocionante, e espero que meus conterrâneos gostem da cena em que participei ao assistir."


Fonte: Emsergipe.com

Reencontrando um pequeno pedaço do Brasil

Postado por poetajorge | Postado em Sem categoria | Postado dia 09-09-2011

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Há alguns anos publiquei aqui o post "A little ‘peace’ of Brazil".

Para a felicidade de muitos, graças a este post e a alguns emails que enviei a amigos e conhecidos, Carol e Brunie conseguiram entrar em contato com diversas pessoas com as quais conviveram em Nossa Senhora da Glória na década de 1960. E a saudade, intensificada por esses contatos depois de mais de quarenta anos de distância, motivou a vinda delas ao Brasil.

Elas chegaram a Aracaju no início de agosto, onde foram recebidas e acolhidas por antigos amigos e ex-alunos. Na sexta-feira, 12/08, vieram a Glória rever muitas pessoas queridas e tive o prazer de conhecê-las pessoalmente e de recebê-las em minha casa. Conversamos bastante sobre o passado, o presente e o futuro. Foi uma experiência magnífica.

 

Algo que não mencionei naquele post publicado em 2009 e que permitiu a reaproximação de tantas pessoas e o desencadear de tantas emoções, é que o meu contato com Carol se deu porque ela teve acesso online ao meu livreto de cordel "Glória" Cantada em Versos, e imediatamente me enviou um email. Fico muito feliz com a possibilidade de bons eventos que esta obra pôde desencadear e vem desencadeando após sua publicação.

Em tempo, uma pequena correção. Segundo Carol, quando o Peace Corps começou, a maior parte dos voluntários tinha entre 18 e 25 anos. No entanto, não há limite de idade.  Lilian Carter, mãe de um ex-presidente americano, serviu na Índia quando já contava 70 anos. Há voluntários com até 84 anos em atividade. Muitos que serviram na juventude retornam depois da aposentadoria. Carol, por exemplo, pensou em retornar e servir no Brasil, mas o Peace Corps não atua em nosso país desde 1985, quando o governo brasileiro retirou a petição de voluntários.

PELEJA E FESTA: VAQUEJADAS EM NOSSA SENHORA DA GLÓRIA

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA | Postado dia 09-09-2011

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“PELEJA E FESTA”: VAQUEJADAS EM NOSSA SENHORA DA GLÓRIA – SE (1970 – 2000) – RECONTANDO A OCUPAÇÃO DO SERTÃO SERGIPANO

É professor com graduação / Licenciatura em História / UFS, do quadro efetivo da rede estadual de ensino (Governo de Sergipe). Também é bacharel em Administração de Empresas / UFS com experiência em Administração Hospitalar.

Prof. José Adeilson dos Santos*

E-mail:adeilsonvig@hotmail.com

Este foi o tema da pesquisa desenvolvida por José Adeilson dos Santos, professor de História dos colégios Manoel Messias Feitosa e Cícero Bezerra, de nossa cidade (Nossa Senhora da Glória). O Trabalho foi apresentado à Faculdade São Luís de França como um dos pré-requisitos para obtenção do Grau de Especialista em História: novas abordagens. Destacou os eventos das vaquejadas na modalidade de “pega de boi no mato”, realizadas em Nossa Senhora da Glória – SE, entre 1970 – 2000. O período serve como amostra de uma manifestação cultural, secularmente realizada no município tomando-a como referência para tratar sobre o processo de ocupação do sertão sergipano e da identidade cultural desta região.

No contexto mais amplo, o trabalho também dialogou com os estudos sobre a ocupação do Nordeste situada nas condições econômicas do “ciclo” do gado, século XVII.

Como consta do artigo, a vaquejada é um evento decorrente da atividade pecuária em sua modalidade extensiva onde o gado era criado “à solta”, em vastas áreas de pastos não delimitados por cercas. Era comum, e costumeiro, a dispersão das reses avançando pela vegetação da caatinga (no caso do Nordeste) em busca de alimentação mais farta. E muitas das vezes se dava a perda de um ou outro animal, perdido nas brenhas destas paragens. Entretanto, isto não acontecia de forma desapercebida do responsável pelo cuidado com o gado – o vaqueiro. Este, corajosamente adentrava no mato fechado, montado sobre um cavalo bem treinado para este desafio. Sem medo de espinhos e de galhos finos, retorcidos e pontiagudos (característicos da vegetação de caatinga) dava conta de longa jornada na tentativa de recuperar os animais, Na verdade o ato se configurava numa missão de “peleja” - em seu sentido mais evidente de esforço e bravura.

Segundo o autor, além do seu prazer pela perspectiva do tema; foi de grande importância o seu contato com personagens do período em estudo. Personagens que em suas atividades laborais eram envolvidas com a “vaquejada” e, se mantêm presentes nestas celebrações recreativas cujos participantes consideram como festas. Portanto, manteve contato com os próprios agentes da escrita de suas histórias. E é importante que estas histórias sejam recontadas para as gerações mais novas, para o respeito e a valorização da identidade cultural/ regional.

Para o desenvolvimento da pesquisa o Prof. José Adeilson visitou o “campo” de vaquejada de “pega de boi no mato” da Fazenda Beleza (Graccho Cardoso – SE), entre os municípios sergipanos de Feira Nova, Graccho Cardoso e de Nossa Senhora da Glória, nas ocasiões de uma etapa classificatória de um campeonato de vaquejada de “pega de boi no mato” em 25 de Março de 2011, e na final do certame em 27 de Abril de 2011. Nestas oportunidades entrevistou apreciadores desta modalidade de vaquejadas e destacados personagens da região, dos municípios sergipanos de Nossa Senhora da Glória (Dé de Henrique, 57 anos e Anselmo Correia, 41 anos); de Gararu (Manoel de Amadeus, 67 anos; José de Oliveira, “Buraqueiro”, 46 anos; de Graccho Cardoso ( João Joaquim, “João Pepeta”, 88 anos e “Zé piaba”, 67 anos).

Os entrevistados falaram de suas memórias de “pelejas” e de “festas” - das pegas de boi no mato, revivendo episódios marcantes e enaltecendo companheiros que na região, constituíram uma espécie de fama e ficaram na lembrança coletiva dos que participam e vivem esta tradição. O Sr. João Pepeta recordou dos “famosos” vaqueiros Luiz Nunes da Mota - conhecido por Luiz de Bigi; Alfredo Nunes da Mota e de Ismael Andrade, da Fazenda Água Branca. Segundo o depoente: “esses três vaqueiros do meu conhecimento foram os milhores de pega-de-boi no mato, de boi brabo. Era destemidos, na se incomodava com os gaios secos do mato”. José de Oliveira, conhecido por “Buraqueiro”, ressaltou Miguelzinho do Pajaú, seu avô. E bastante informativa foi a entrevista prestada pelo vaqueiro Anselmo Correia, 41, que atualmente promove estes eventos de pega-de-boi no mato; tem uma equipe de vaqueiros para esta modalidade de vaquejada. O entrevistado é competidor das vaquejadas de “mourão”, mas compreende e defende a originalidade da “pega de boi no mato” como manifestação efetivamente identitária do homem do campo do Nordeste sertanejo. São do entrevistado estas palavras:

Porque… é, quando a gente (…) fala vaquejada tem a ver geralmente com as entranhas de tantas outras pessoas de idade; vaqueiros velhos como o meu avô Manoel de Juca, finado Tonho de Laudelino, finado Zé Pretinho… Também, certo, tem João da Melancia, tem Zé de Chico de Cainhiba… que hoje, todos tão ainda participando da vaquejada. Não correndo mais… mais vendo seus filhos, vendo seus netos aonde João da Melancia ainda hoje conta com um campo de vaquejada que é na Lagoa Bonita, ali na Fazenda Melancia. Ainda encontra-se fazendo vaquejada todo ano. (…) São vaqueiros destemidos com certeza. Esses… eles… esses que eu falei aqui todos já foram vaqueiros conhecidos, certo? Conhecido em todo sertão sergipano, alagoano. São pessoas que transferiu de pai para filho, para neto, para bisneto as suas origens. (…) Esses velhos que eu já disse a você como Tonho de Sabino, Miguel do Pajeú e tantos outros quantos; são hoje pessoas entre 60 e 70 anos de idade, certo, mais deixou as suas origens. Deixou filhos, deixou netos, que hoje está igual a mim continuando defendendo essa bandeira que é a cultura… é, do alto sertão sergipano que é a pega-de-boi no mato.

Com esta pesquisa de revisita à história e às tradições nordestinas e do sertão sergipano, o professor José Adeilson prestou uma contribuição para a expressividade da identidade cultural do homem do sertão sergipano, especialmente de Nossa Senhora da Glória. De sobremaneira valerá muito a apresentação deste trabalho nas aulas de História e de Cultura Sergipana.

* É professor com graduação / Licenciatura em História / UFS, do quadro efetivo da rede estadual de ensino (Governo de Sergipe). Também é bacharel em Administração de Empresas / UFS com experiência em Administração Hospitalar.

Fig. 01 - Registro da “pega” do boi “Caboquinho”, no campo de Miguel do Pajaú – Porto da Folha – SE, pela equipe de vaqueiros de Anselmo Correia(Zé Ildo, Cabeludo eAutran)
Fonte: Acervo particular de Anselmo Correia.

Fig. 02
- Da esquerda para direita, vaqueiros José Nunes (Zé Piaba), Manoel Pacheco (Mano das Três Barras – G. Cardoso - SE) e João Joaquim ( João Pepeta). Registro em 27 de Abril de 2011. Fonte: Acervo particular do autor.

Fig. 03 - Da esquerda para direita, vaqueiros João Joaquim (João Pepeta), José Teles (Zé de Henrique) e Manoel de Amadeus. Registro em 25.03.2011. Fonte: Acervo particular do autor.

Cultura e história de Glória no Terra Serigy

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA, Notícias | Postado dia 29-08-2009

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Para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir ao programa Terra Serigy deste sábado, 29, na TV Sergipe, poderão assisti-lo na íntegra no link abaixo. É só clicar na imagem.

História e cultura da Capital do Sertão na TV

Postado por poetajorge | Postado em CULTURA, EVENTOS, Notícias | Postado dia 24-08-2009

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Os 80 anos de Nossa Senhora da Glória e sua cultura serão o tema do TERRA SERIGY no próximo sábado

O programa Terra Serigy, que vai ao ar no próximo sábado ao meio-dia pela TV Sergipe, emissora afiliada da Rede Globo, será totalmente dedicado a Nossa Senhora da Glória e a sua cultura. Fernando Petrônio, coordenador de produção do programa, juntamente com sua equipe, esteve no município na quarta-feira, 18/08, e entrevistou diversos artistas e artesãos.

Entre os entrevistados estavam o professor e poeta Jorge Henrique, que falou sobre sua obra “Glória” Cantada em Versos e sobre a trajetória histórica do município, o Sr. Gerino Tavares de Lima, 104 anos, personalidade ilustre da história de Glória, a artista plástica Maria Barreto, os atores Luiz Carlos Andrade, Romário Andrade e Anderson Carlos Santana, que adaptaram a obra do poeta Jorge Henrique para o teatro, e os artesãos e artistas plásticos Maria Aparecida de Souza, João Paulo Santos, Karol Sama e Wellington Santos. A equipe do Terra Serigy também entrevistou a consultora de Turismo Silvia Oliveira.

O programa, que é uma revista eletrônica que aborda assuntos relacionados ao povo e à terra sergipana, voltou seu foco para a riqueza cultural de Nossa Senhora da Glória. Mais uma vez a Capital do Sertão se firma como um berço de latentes manifestações culturais que exalam saberes, falares, cantares e fazeres únicos e muito expressivos. Alguns filhos notáveis dessa terra, como o músico e escritor Sergival e o artesão Véio já são reconhecidos e admirados nacionalmente e elevam e nome do município, mas Glória ainda tem muito que mostrar. Uma pouco dessa terra maravilhosa poderá ser visto na TV, não deixem de assistir.

Jorge Henrique

UFS em Nossa Senhora da Glória

Postado por poetajorge | Postado em Notícias | Postado dia 18-08-2009

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UFS discute projeto para criar campus no Sertão sergipano

Unidade teria sua sede em Nossa Senhora da Glória com cursos ligados às Ciências Agrárias.

Em reunião realizada na manhã desta terça, 18, no auditório da Reitoria, a Universidade Federal de Sergipe recebeu estudantes, movimentos sociais e autoridades políticas para discutir a criação de um campus que atenda às demandas do Alto e Médio Sertão sergipano.

O projeto, pensado desde 2005, e cuja sede seria a cidade de Nossa Senhora da Glória, visa atender especialmente filhos de agricultores da região, a fim de que não necessitem se deslocar para a capital, deixando o campo.

O campus contaria com cursos ligados às Ciências Agrárias, como Medicina Veterinária, Agronomia e Engenharia Florestal.

O vice-reitor da UFS, Angelo Roberto Antoniolli, afirmou que a universidade já está pronta e "só depende dos devidos acordos com o governo federal e estadual".

Ele asseverou ainda a importância da "articulação da sociedade e da constante vigília em atos como este para que tão logo as condições se tornem propícias e o campus das Ciências Agrárias passe a ser realidade".

Mobilização

Em data anterior, já haviam sido entregues 6 mil assinaturas ao presidente Lula e, posteriormente, mais 36 mil ao então ministro da Educação Tarso Genro, totalizando 40 mil assinaturas em favor da criação de uma unidade da UFS no Sertão.

Nessa nova fase, a agenda de reuniões, promovida pelos diversos movimentos sociais envolvidos, terá prosseguimento dia 9 de setembro, em Porto da Folha.

Expansão

Ao todo, a UFS conta com os campi de São Cristóvão, Aracaju (Saúde), Itabaiana e Laranjeiras, este recentemente teve sua sede permanente entregue.

Para o próximo vestibular, cujas inscrições estão abertas, a instituição oferecerá 4.910 vagas em 93 opções de cursos.

Fonte: Novo Portal UFS - notícia, em 18/08/2009.